Papa aos responsáveis pelas guerras: respeitar a humanidade que sofre
- 18/06/2026
Em encontro com os participantes da 99ª Assembleia Plenária da ROACO, Leão XIV alerta para as consequências e a precariedade, frutos das guerras
Da Redação, com Vatican News

Papa durante discurso aos participantes da ROACO /Foto: VATICAN MEDIA/CPPIPA/Sipa USA via Reuters
O Papa Leão XIV recebeu em audiência na manhã desta quinta-feira, 18, cerca de 100 pessoas da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO). O encontro, na Sala Clementina, no Vaticano, marcou o encerramento da 99ª Assembleia Plenária do comitê, que reúne organizações de diversos países dedicadas à ajuda humanitária e pastoral a católicos orientais e cristãos em regiões de conflito, como o Oriente Médio e a Terra Santa. A ROACO atua em ligação com o Dicastério para as Igrejas Orientais. O Pontífice saudou os participantes, começando pelo cardeal Claudio Gugerotti, prefeito do Dicastério e presidente do comitê.
A assembleia, realizada ao longo de quatro dias, refletiu sobre a formação de clérigos e monges em seminários e colégios orientais, com o objetivo de aprofundar o conhecimento das diferentes tradições eclesiais, que se enriquecem mutuamente. “Acredito que tenha sido uma escolha muito oportuna”, afirmou o Papa, destacando que é preciso socorrer a Igreja não apenas materialmente, mas também fortalecê-la “em identidade e força evangelizadora”. Participaram ainda o Custódio da Terra Santa, padre Francesco Ielpo, e o núncio apostólico no Líbano, dom Paolo Borgia.
Leão XIV recordou que as Igrejas do Oriente remetem às origens da fé cristã, destacando suas “liturgias repletas de sacralidade”, que expressam o poder da oração e a riqueza espiritual dessas tradições. Ele também citou São João Paulo II e a Carta Apostólica Orientale Lumen, sobre a importância de um ensino adequado dessas tradições na formação sacerdotal.
A esperança ferida pela guerra
O Papa afirmou que o serviço da ROACO exige um coração “inflamado pelo Espírito Santo” e a vivência constante da oração e dos sacramentos. No entanto, alertou que esse caminho é profundamente atingido pela guerra:
“Enquanto vocês geram vida, eles semeiam morte; enquanto vocês abrem caminhos de esperança, eles aprisionam os povos no medo; enquanto vocês constroem futuro, eles destroem o presente”, afirmou, criticando o uso de recursos para conflitos.
Ele também lamentou a “dolorosa hemorragia” de cristãos orientais de seus territórios, causada por guerras que, segundo ele, “não resolvem problemas, mas criam tragédias muitas vezes esquecidas”.
Precariedade e impacto social
Leão XIV definiu a precariedade como uma das principais consequências dos conflitos nas Igrejas Orientais, marcada por instabilidade política, presença de grupos armados e interferência de interesses externos. Segundo ele, isso sufoca o desenvolvimento e afeta especialmente os mais pobres.
O Papa destacou ainda os efeitos sobre a vida cotidiana, como trabalho instável, salários irregulares e fragilidade em áreas como saúde e educação. Famílias, crianças, idosos e doentes são os mais atingidos: “um drama que corrói a esperança e impede a construção do futuro”.
Ao final, Leão XIV pediu compromisso na superação dessa realidade, lembrando que a guerra não é inevitável, mas fruto de escolhas humanas. Ele fez ainda um apelo à paz e à responsabilidade, pedindo a restauração do respeito pela humanidade e do verdadeiro sentido de civilização.
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